Hemotransfusão e cuidados de Enfermagem

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hemotransfusaoOlá, concurseiros(as) da enfermagem! A banca para o concurso do Hemocentro já foi definida, será a IADES, por isso vamos potencializar os estudos sobre doenças hematológicas e hemoterapia. Para ajudar vocês, farei uma sequência de artigos abordando essas duas temáticas.

No último concurso do Hemocentro da SES-DF, obtive o 2° lugar e posso ajudar você nesta caminhada rumo à aprovação.

Hoje vamos detalhar uma parte da Resolução do COFEN, n. 511/2016, sobre o ato transfusional e os cuidados de enfermagem.  As bancas adoram as atualizações, e nessa temática houve muitas em 2016, inclusive a edição da Portaria n. 158/2016 do GM/MS, que regulamenta todos os procedimentos técnicos de procedimentos hemoterápicos.

Neste artigo, vamos discutir as normas gerais na hemotransfusão e especificar as atribuições dos enfermeiros e dos técnicos de enfermagem.

Normas Gerais para Enfermeiros e Técnicos de Enfermagem na Hemotransfusão 

Compete ao Enfermeiro

  1. Atentar para o tempo de início da transfusão, após o recebimento do material na unidade, conforme indicado a seguir.
  2. Eritrócitos e Concentrados de Hemácias: o tempo de infusão de cada unidade deve ser de 60 a 120 minutos em pacientes adultos.

Em pacientes pediátricos, não exceder a velocidade de infusão de 20- 30ml/kg/hora.

  1. Concentrado de Plaquetas: o tempo de infusão da dose deve ser de aproximadamente 30 minutos em pacientes adultos ou pediátricos, não exceder a velocidade de infusão de 20-30ml/kg/hora; e
  2. Plasma Fresco Congelado: o tempo máximo de infusão deve ser de uma hora.

As competências dos enfermeiros são divididas em 3 etapas: antes da transfusão, durante e após esse procedimento.

Pré-procedimento

  1. Sempre que possível, garantir a assinatura do Termo de Consentimento pelo paciente ou familiar/responsável.
  2. Verificar a permeabilidade da punção, o calibre do cateter, a presença de infiltração e os sinais de infecção para garantir a disponibilidade do acesso.
  3. Confirmar obrigatoriamente a identificação do receptor, do rótulo da bolsa, dos dados da etiqueta de liberação, a validade do produto, a realização de inspeção visual da bolsa (cor e integridade) e a temperatura por meio de dupla checagem (Enfermeiro e Técnico de Enfermagem) para segurança do receptor.
  4. Garantir que os sinais vitais sejam aferidos e registrados para analisá-los.
  5. Garantir acesso venoso adequado, exclusivo, e equipo com filtro sanguíneo.
  6. Prescrever os cuidados de enfermagem relacionados ao procedimento.

Intraprocedimento

  1. Confirmar, novamente, a identificação do receptor, confrontando com a identificação na pulseira e o rótulo do insumo a ser infundido.
  2. Verificar duas vezes o rótulo da bolsa de sangue ou hemoderivado para se assegurar de que o grupo e o tipo Rh estão de acordo com o registro de compatibilidade.
  3. Verificar se o número e o tipo – indicados no rótulo do sangue, ou do hemoderivado, e no prontuário do paciente – estão corretos, confirmando-se, mais uma vez e em voz alta, o nome completo do paciente.
  4. Verificar o conteúdo da bolsa quanto a bolhas de ar e qualquer alteração no aspecto e na cor do sangue ou do hemoderivado (as bolhas de ar podem indicar crescimento bacteriano; a coloração anormal ou a turvação podem ser sinais de hemólise).
  5. Assegurar que a transfusão seja iniciada nos 30 minutos após a remoção da bolsa do refrigerador do banco de sangue.
  6. A transfusão deve ser monitorada durante todo seu transcurso, e o tempo máximo de infusão não deve ultrapassar 4 (quatro) horas.
  7. Durante os 10 (dez) primeiros minutos da transfusão, o profissional que a instalou deve permanecer à beira do leito do paciente, acompanhando o procedimento.
  8. Nos primeiros 15 (quinze) minutos, deve-se infundir o insumo lentamente, sem ultrapassar a 5 ml/min.
  9. Observar, rigorosamente, o paciente quanto aos efeitos adversos da transfusão e, na negativa, aumentar a velocidade do fluxo.
  10. Garantir o monitoramento dos sinais vitais em intervalos regulares, comparando-os.
  11. Deve-se interromper a transfusão imediatamente e comunicar ao médico caso haja qualquer sinal de reação adversa, tais como: inquietação, urticária, náuseas, vômitos, dor nas costas ou no tronco, falta de ar, hematúria, febre ou calafrios.
  12. Nos casos de intercorrência com interrupção da infusão, encaminhar a bolsa para análise.
  13. Recomenda-se a prescrição da troca do equipo de sangue a cada duas unidades transfundidas, a fim de minimizar riscos de contaminação bacteriana.

Pós-procedimento:

  1. Garantir que os sinais vitais sejam aferidos e compará-los com as medições de referência.
  2. Descartar adequadamente o material utilizado e assegurar que todos os procedimentos técnicos, administrativos, de limpeza, desinfecção e gerenciamento de resíduos sejam executados em conformidade com os preceitos legais e os critérios técnicos cientificamente comprovados, os quais devem estar descritos em procedimentos operacionais padrão (POP) e documentados nos registros dos respectivos setores de atividades.
  3. Todas as atividades desenvolvidas pelo serviço de hemoterapia devem ser registradas e documentadas de forma a garantir a rastreabilidade dos processos e dos produtos, desde a obtenção até o destino final, incluindo-se a identificação do profissional que realizou o procedimento. Deve-se constar obrigatoriamente:
  4. data;
  5. horário de início e término;
  6. sinais vitais no início e no término;
  7. origem e identificação das bolsas dos hemocomponentes transfundidos;
  8. identificação do profissional que a realizou; e
  9. registro de reações adversas, quando for o caso.
  10. Monitorar o paciente quanto à resposta e à eficácia do procedimento.

Seguem as competências dos colegas técnicos de enfermagem:

Compete ao Técnico de Enfermagem

  1. Cumprir a prescrição efetuada pelo enfermeiro.
  2. Aferir sinais vitais pré, intra e pós – procedimento transfusional.
  3. Observar e comunicar ao enfermeiro qualquer intercorrência que ocorra.
  4. Monitorar, rigorosamente, o gotejamento do sangue ou do hemoderivado.
  5. Proceder o registro das ações efetuadas no prontuário do paciente de forma clara, precisa e pontual.
  6. Participar de treinamentos e programas de educação permanente.

Essas foram as descrições das competências da equipe de enfermagem na resolução do COFEN.

Ainda sobre o tema, a Portaria 158/2016 ressalta as informações a seguir:

  • A transfusão deve, obrigatoriamente, ser prescrita por médico e registrada no prontuário do paciente.
  • É obrigatório, também, que fiquem registrados, no prontuário do paciente, a data da transfusão, os números e a origem dos componentes sanguíneos transfundidos.
  • As transfusões serão realizadas por médico ou profissional de saúde habilitado, qualificado e conhecedor das normas constantes na Portaria em foco e serão realizadas apenas sob supervisão médica, isto é, em local em que haja, pelo menos, um médico presente e que possa intervir em casos de reações transfusionais.
  • O paciente deve ter os seus sinais vitais (temperatura, pressão arterial e pulso) verificados e registrados, pelo menos, imediatamente antes do início e após o término da transfusão.
  • Os primeiros 10 minutos de transfusão serão acompanhados por médico ou profissional de saúde qualificado para tal atividade. Esse permanecerá ao lado do paciente durante o referido intervalo de tempo.
  • Se o paciente apresentar alguma reação adversa, o médico será comunicado imediatamente.

Agora, veja como o tema foi cobrado no concurso do Hemominas.

  1. (HEMOMINAS/IBFC/2013) Considerando os cuidados com a transfusão de hemocomponentes, leia as frases e a seguir assinale a alternativa que corresponde à resposta correta.

I – A conferência dos dados contidos no rótulo da bolsa e no prontuário do paciente, além da identificação positiva do receptor devem ser obrigatoriamente realizadas antes da instalação de uma transfusão, a fim de prevenir, entre outros riscos, a sua instalação indevida.

II – O tempo de infusão de cada bolsa deve ser indicado pelo médico, entretanto, nunca deve exceder a 6 horas.

III – É imprescindível a verificação dos sinais vitais do paciente para orientar os cuidados pré e pós-transfusionais. Durante todo período de transfusão, o paciente deve ser rigorosamente observado e, pelo menos nos primeiros 10 minutos da transfusão, um profissional preparado deverá permanecer ao seu lado, observando-o.

  1. a) Apenas a frase III está correta.
  2. b) As frases I, II e III estão corretas.
  3. c) As frases I e III estão corretas.
  4. d) Apenas a frase II está correta.

Gabarito: Letra C

Comentários:

Frase I. Correta. A transfusão é um procedimento importante e que, se feito com sangue diferente do que necessita o paciente, pode acarretar consequências graves, até mesmo o óbito.  Por isso, é fundamental estabelecer um sistema de segurança para o paciente, instituindo-se a dupla checagem, que, claro, deve ser feita antes de se instalar a bolsa.

A Portaria 158/2016, como já visto, mostra que, se houver qualquer discrepância entre a identificação do receptor e a constante na bolsa, a transfusão será suspensa até o esclarecimento do fato.

Assim, haverá mecanismos, tais como pulseiras ou braceletes, que reduzirão a possibilidade de erro na identificação do receptor nos casos em que ele estiver inconsciente ou desorientado.

Frase II – Errada. A Portaria 158/2016 mostra que o tempo máximo de transfusão é de 4 horas e não de 06, como apresenta a afirmativa.

Observe, a seguir, a descrição do Art. 197 da referida portaria:

Os componentes sanguíneos serão infundidos em, no máximo, 4 (quatro) horas.

Quando o período estabelecido no caput for atingindo, a transfusão será interrompida e as bolsas descartadas.

Frase III – Correta. Essa é uma recomendação importante tanto da portaria, quanto da resolução do COFEN. Segue trecho da portaria para conferirmos.

Art. 151. O paciente deve ter os seus sinais vitais (temperatura, pressão arterial e pulso) verificados e registrados, pelo menos, imediatamente antes do início e após o término da transfusão.

  • 2º Os primeiros 10 (dez) minutos de transfusão serão acompanhados pelo médico ou profissional de saúde qualificado para tal atividade, que permanecerá ao lado do paciente durante esse intervalo de tempo.
  • 3º Durante o transcurso do ato transfusional, o paciente será periodicamente monitorado para possibilitar a detecção precoce de eventuais reações adversas.
  • 4º Se houver alguma reação adversa, o médico será comunicado imediatamente.

Terminamos aqui nosso artigo sobre o ato transfusional, mas esse assunto é denso e complexo, por isso espero você no curso do Gran Cursos Online. Nele iremos cercar essa temática e garantir a sua aprovação.

Vença as dificuldades impostas pelo dia cansativo de trabalho, estabeleça as metas de estudo e siga conosco rumo ao sucesso!

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Fernanda Barboza – Graduada em Enfermagem pela Universidade Federal da Bahia e Pós-Graduada em Saúde Pública e Vigilância Sanitária. Atualmente, servidora do Tribunal Superior do Trabalho, cargo: Analista Judiciário- especialidade Enfermagem, Professora e Coach em concursos. Trabalhou 8 anos como enfermeira do Hospital Sarah. Nomeada nos seguintes concursos: 1º lugar para o Ministério da Justiça, 2º lugar no Hemocentro – DF, 1º lugar para fiscal sanitário da prefeitura de Salvador, 2º lugar no Superior Tribunal Militar (nomeada pelo TST). Além desses, foi nomeada duas vezes como enfermeira do Estado da Bahia e na SES-DF. Na área administrativa foi nomeada no CNJ, MPU, TRF 1ª região e INSS (2º lugar), dentre outras aprovações.
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