Artigo: crises hipertensivas nas provas de concursos

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Olá, amigo concurseiro!

Estudaremos hoje a crise hipertensiva, e eu te mostrarei os principais tópicos dentro dessa temática para as provas de concursos. As bancas utilizam as informações do Caderno de Atenção Básica n. 37 do Ministério da Saúde, portanto vamos detalhar os tipos de crises hipertensivas por este material, ok?

1.0 Conceito

Vamos começar conceituando a crise hipertensiva.

A crise hipertensiva caracteriza-se por uma elevação rápida, inapropriada, intensa e sintomática da pressão arterial, com ou sem risco de deterioração rápida dos órgãos-alvo (coração, cérebro, rins e artérias), que pode conduzir a um risco imediato ou potencial de vida. Os níveis tensionais estão elevados, levando-se em consideração a pressão arterial diastólica, geralmente > 120 mmHg.

2.0 Tipos de Crises hipertensivas

Vamos diferenciar os tipos de crises hipertensivas?

2.1 Emergências Hipertensivas

São condições em que há elevação crítica da pressão arterial com quadro clínico grave, progressiva lesão de órgãos-alvo (LOA) e risco de morte, exigindo imediata redução da pressão arterial com agentes aplicados por via parenteral.

Há elevação abrupta da pressão arterial, ocasionando, em território cerebral, perda da autorregulação do fluxo sanguíneo e evidências de lesão vascular, com quadro clínico de encefalopatia hipertensiva, lesões hemorrágicas dos vasos da retina e papiledema.

Habitualmente, apresenta-se com pressão arterial muito elevada em pacientes com hipertensão crônica, ou menos elevada em pacientes com doença aguda, como eclâmpsia, glomerulonefrite aguda, e em uso de drogas ilícitas, como cocaína.

Podem estar associadas a acidente vascular encefálico, ao edema agudo dos pulmões, às síndromes isquêmicas miocárdicas agudas e à dissecção aguda da aorta.

Esses casos requerem manejo imediato e encaminhamento em serviço de urgência e emergência, pois há risco iminente à vida ou de lesão orgânica grave.

2.2 Urgências hipertensivas

Por outro lado, a urgência hipertensiva representa a elevação crítica da pressão arterial, em geral pressão arterial diastólica ≥ 120mmHg, porém, com estabilidade clínica, sem comprometimento de órgãos-alvo, caracteriza o que se convencionou definir como urgência hipertensiva (UH).

Pacientes que cursam com UH estão expostos a maior risco futuro de eventos cardiovasculares se comparados com hipertensos que não a apresentam, fato que evidencia o seu impacto no risco cardiovascular de indivíduos hipertensos e enfatiza a necessidade de controle adequado da pressão arterial cronicamente. A pressão arterial, nesses casos, deverá ser tratada com medicamentos por via oral, buscando-se sua redução em até 24 horas.

Vamos discutir as medicações que são contraindicadas e qual medicação é mais apropriada nas urgências hipertensivas.

Embora a administração sublingual de nifedipino de ação rápida seja amplamente utilizada para esse fim, foram descritos efeitos adversos graves com essa conduta. A dificuldade de controlar o ritmo e o grau de redução da pressão arterial, sobretudo quando intensa, pode ocasionar acidentes vasculares encefálicos e coronarianos.

O risco de importante estimulação simpática secundária e a existência de alternativas eficazes e mais bem toleradas tornam o uso de nifedipino de curta duração (cápsulas) não recomendável nessa situação.

O captopril 25 mg via oral é indicado nessa situação. A prática da administração sublingual do comprimido de captopril não é recomendada, pois suas características farmacocinéticas não permitem a absorção de doses ideais por essa via, devendo, portanto, ser deglutido.

É importante traçar as situações clínicas que acompanham as urgências e emergências hipertensivas pelo CAB do MS. Confira comigo na imagem abaixo:

2.3 Pseudocrise hipertensiva

A chamada pseudocrise hipertensiva é uma situação que não se enquadra na classificação tradicional de urgência e emergência hipertensiva, mas apresenta-se com uma frequência muito maior em serviços de Atenção Básica.

Geralmente, apresenta-se como uma medida de PA elevada associada a queixas vagas de cefaleia ou sintomas e sinais de ansiedade, sem sinais de comprometimento de órgão-alvo.

O tratamento, nesses casos, dever ser dirigido à causa da elevação arterial, como uso de analgésicos na presença de cefaleia, de modo a evitar o risco de hipotensão e isquemia cerebral ou miocárdica. Muitas vezes, pode refletir a má adesão ao tratamento anti-hipertensivo ou uso de doses insuficientes.

A pseudocrise hipertensiva oferece uma oportunidade para reforçar as medidas não medicamentosas e/ou otimizar o tratamento medicamentoso.

Vamos ao treinamento?

  1. (CETRO/2014) A crise hipertensiva pode surgir em qualquer idade e representa o desencadeamento da hipertensão de causas variadas. Pode ser dividida em urgência hipertensiva e emergência hipertensiva. A respeito da emergência hipertensiva, analise os itens abaixo.
  2. Dissecção aguda de aorta.
  3. Eclâmpsia.

III. Infarto agudo do miocárdio.

  1. Edema agudo de pulmão.

É correto afirmar que essa situação representa risco imediato à vida devido a lesões de órgãos-alvo com complicações encontradas em

  1. a) I e II, apenas.
  2. b) I, II, III e IV.
  3. c) I, III e IV, apenas.
  4. d) III e IV, apenas.
  5. e) II, apenas.

Comentário: Letra B. Todas as situações representam emergência hipertensiva, pois são manifestações de lesões em órgãos-alvo.

 

  1. (CESPE/SEE/2017) As crises hipertensivas podem representar até 25% de todos os atendimentos hospitalares de urgência e emergência, contribuindo com o aumento das estatísticas em primeiros socorros. A respeito desse assunto, julgue o item a seguir.

Nas pseudocrises hipertensivas, a pressão arterial elevada pode ser consequência de outras situações clínicas, como quadros álgicos, ansiosos e vertiginosos. Nesse caso, os pacientes devem receber medicamentos sintomáticos e ser reavaliados posteriormente.

Gabarito: Certo.

Comentário: Esse é o terceiro tipo de crise hipertensiva relatada no CAB n. 37. Geralmente, apresenta-se como uma medida de PA elevada associada a queixas vagas de cefaleia ou sintomas e sinais de ansiedade, sem sinais de comprometimento de órgão-alvo. O tratamento, nesses casos, dever ser dirigido à causa da elevação arterial, como uso de analgésicos na presença de cefaleia, de modo a evitar o risco de hipotensão e isquemia cerebral ou miocárdica.

 

  1. (EBSERH/IBFC/2015) No tratamento das emergências hipertensivas com dissecção aguda de aorta, o tratamento de escolha recai sobre:
  2. a) Metoprolol ou esmolol por via venosa em associação com nitroprussiato de sódio.
  3. b) Apenas metroprolol por via venosa.
  4. c) Apenas nitroprussiato de sódio.
  5. d) Nitroprussiato de sódio ou nitroglicerina associado à clonidina via venosa
  6. e) Nitroprussiato de sódio ou nifedipina sublingual associado ao metoprolol via venosa.

Comentário: Letra A. É a situação de uma emergência hipertensiva, demandando medicações endovenosas e de rápida atuação como o Nipride® (nitroprussiato de sódio).

O objetivo da terapia medicamentosa para a dissecção de aorta é reduzir a força de contração do ventrículo esquerdo, a frequência cardíaca, a elevação da onda de pulso reflexa e a PA para o menor nível possível, sem que haja comprometimento da perfusão de órgãos vitais. Atualmente, para essa finalidade, a combinação de betabloqueador a um vasodilatador (nitroprussiato de sódio) é a terapia medicamentosa de escolha.

 

  1. (IPEFAE 2015) São sintomas de uma crise hipertensiva, exceto:
  2. a) Dor em membros inferiores.
  3. b) Cefaleia.
  4. c) Alterações visuais.
  5. d) Dor precordial.

Gabarito: Letra A.

Comentário: A dor em membros inferiores não tem correlação com as crises hipertensivas.

Vamos aproveitar essa questão e aprender quais os principais sintomas da crise hipertensiva?

  1. (CESPE/2013) Acerca do atendimento de paciente em situações de emergências relacionadas aos sistemas respiratório e circulatório, julgue os itens a seguir.

Os quadros de hipertensão arterial leve, ou seja, pressão arterial diastólica acima de 130 mmHg, associados a alterações na retina, insuficiência renal, alterações neurológicas, anemia e insuficiência ventricular não são considerados crises hipertensivas.

Gabarito: Errado.

Comentário: Os casos em que a pressão arterial diastólica está maior que 130mmHg não são considerados hipertensão leve, mas crises hipertensivas do tipo emergência, pois apresentam lesão de órgãos-alvo.

 

  1. (CESPE/SEEDF/2017) As crises hipertensivas podem representar até 25% de todos os atendimentos hospitalares de urgência e emergência, contribuindo com o aumento das estatísticas em primeiros socorros. A respeito desse assunto, julgue o item a seguir.

Tratando-se de emergência hipertensiva, embora haja aumento significativo da pressão arterial do paciente, a condição clínica é estável e não há comprometimento de órgão-alvo. Nessa situação, a pressão arterial deve ser reduzida em até 24 horas, em geral com medicamentos administrados por via oral.

Gabarito: Errada

Comentário: Esse é o conceito e tratamento da urgência hipertensiva.

 

  1. (CESPE/SEEDF/2017) As crises hipertensivas podem representar até 25% de todos os atendimentos hospitalares de urgência e emergência, contribuindo com o aumento das estatísticas em primeiros socorros. A respeito desse assunto, julgue o item a seguir.

Tratando-se de urgência hipertensiva, é comum o aumento crítico da pressão arterial do paciente, com quadro clínico grave e com progressiva lesão de órgãos alvo, além de risco de morte. Nessa situação, exige-se a imediata redução da pressão arterial com medicamentos por via parenteral.

Gabarito: Errado.

Comentário: Essa questão abordou as emergências hipertensivas, e não a urgência. Observe que o CESPE trocou os conceitos dos dois tipos de crise hipertensiva na questão 6 e 7 da nossa revisão.

Finalizamos as nossas dicas. Continue acompanhando-as no Blog do Gran Cursos Online e confira nossos cursos para que a sua preparação seja mais eficiente.

 

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Fernanda Barboza é graduada em Enfermagem pela Universidade Federal da Bahia e Pós-Graduada em Saúde Pública e Vigilância Sanitária. Atualmente, servidora do Tribunal Superior do Trabalho, cargo: Analista Judiciário- especialidade Enfermagem, Professora e Coach em concursos. Trabalhou 8 anos como enfermeira do Hospital Sarah. Nomeada nos seguintes concursos: 1º lugar para o Ministério da Justiça, 2º lugar no Hemocentro – DF, 1º lugar para fiscal sanitário da prefeitura de Salvador, 2º lugar no Superior Tribunal Militar (nomeada pelo TST). Além desses, foi nomeada duas vezes como enfermeira do Estado da Bahia e na SES-DF. Na área administrativa foi nomeada no CNJ, MPU, TRF 1ª região e INSS (2º lugar), dentre outras aprovações.

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